Morador da praça Otávio Rocha

Estive no centro de Porto alegre para vê a situação dos moradores de rua a expectativa era fotografar alguém que pudesse me dar referências da vida nas ruas diante do frio.

Naquele dia os termômetros variavam entre oito e nove graus no centro da capital, foi o dia mais frio do ano e o mais gelado para esta estação.

O vento do meio-dia doía na alma. As pessoas se encolhiam debaixo dos casacos, mantas e tocas, todos procuravam um lugar no sol e, nas ruas do centro comercial, se enfileiravam para manter-se aquecidas dentro das lojas.

As pessoas estavam bem vestidas e calçadas a rigor para a estação, como se fosse um desfile de moda. Eram exibidas botas, cachecóis, casacos caros e baratos.

As ruas se transformaram quase que numa passarela, mulheres entravam e saiam das lojas de roupas. O movimento do comercio era grande.

Segui o meu caminho em busca do possível morador de rua, mas parei quando vi um homem esfarrapado com um pala encardido carregando nas mãos duas sacolas que continham papelões e pequenos pedaços de madeira.

Atravessei a praça, segui em sua direção e pedi que deixasse ser fotografado, ele sorriu e ainda pediu:

-Tira uma foto minha chegando à minha casa! Disse ele já pousando.

-È pra já, respondi. Eu estava com o celular na mão e cliquei.

Faceira agora eu já tinha minha imagem e meu entrevistado.

Minutos depois ele descarrega as sacolas e começa a falar da sua vida, dizia que aquelas madeiras eram pra fortalecer sua casinha para o frio e fazer fogueira de noite.

Olhei para o lado e vi uns pedaços de papelão e madeira que serviam de telhado. No chão um colchão velho e uns farrapos de cobertores forravam seu leito, sim àquela era sua casa que com orgulho ele exibia.

Ele sorridente foi me explicando seu dia-a-dia e sua vida simplória como um morador de rua, seu nome é Salvador e há sete anos mora naquela praça, naquele casebre improvisado.

Seu Salvador já enfrentou muito frio ao relento e pra ele dói muito viver assim.

Uma resposta para “Morador da praça Otávio Rocha”

  1. Frio e abandono em Porto Alegre « maria evana ribeiro Disse:

    [...] ele morar na rua e sentir o frio não é pior do que a solidão e o abandono pelas pessoas. “Sempre tenho [...]

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